Acervo com obras inéditas de Cora Coralina marca aniversário da poetisa

Acervo com obras inéditas de Cora Coralina marca aniversário da poetisa.
Cora Coralina. Foto: Cult Carioca.

Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, mais conhecido como Cora Coralina, estaria completando 130 anos nesta terça-feira (20). E um acervo de obras inéditas da poetisa foi exposto durante a cerimônia de aniversário dela.

Cora Coralina foi uma das escritoras mais importantes para a história da literatura brasileira. Uma de suas obras mais conhecidas é “Meu Livro de Cordel”, poesia lançada em  1976.

Cora nasceu em Goiás (GO), em 1989. Se casou ao 19 anos com um advogado com quem teve seis filhos, dois deles morreram, logo após, Cora ficou viúva, e precisou se mudar Penápolis, interior de São Paulo, onde vendia linguiça. Depois a autora se mudou para Andradina (SP), lá, Cora retorna a escrita e começa e fazer trabalhos para um jornal local. Em seguida ela retorna com os filhos para Goiás, assume a cadeira 5 da número Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás.

Em 1981 Cora Coralina é contemplada com o Troféu Jaburu através do Conselho Estadual de Cultura de Goiás. No ano seguinte é agraciada com o Prêmio de Poesia em São Paulo. E também recebe o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade de Goiás.

Já em 1984 um prêmio muda a vida da contista, ela simplesmente recebeu o  Troféu Juca Pato, premiação que nenhum brasileiro havia recebido até então.

Em 1985 Cora Coralina contraiu uma pneumonia e não resistiu, a autora faleceu no mesmo ano. Após sua morte a casa onde vivia se transformou no Museu Cora Coralina, e reconhecido pela Unesco como Unesco como Patrimônio Histórico da Humanidade.

Hoje, a cidade natal de Cora Coralina, Goiás, comemora seus 130 anos. Inúmeras cerimônias estão sendo realizadas para homenagear a contista.

De acordo com Vicência Bretas, filha de Cora, há obras desconhecidas da autora em Goiás, “Tem coisa inédita, tudo organizado em 15 pastas. São poesias, cartas, discursos…”, disse ao G1.

Para também homenagear Cora Coralina, o portal Regional Paulista deixa para os leitores um poema escrito por ela.

O cântico da Terra

Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.

Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranquila ao teu esforço.
Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.

Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.

A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.

E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranqüilo dormirás.

Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho,
do gado e da tulha.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos.

Cora Coralina

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