18 Julho 2024

Incêndios nos pântanos do Brasil atingem recorde em 2024

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Enquanto José Cleiton e Brandão Amilton cavalgam com seus cavalos pela vastidão dos pântanos do Pantanal no Brasil, uma parede de fumaça se eleva no horizonte, subindo alto no céu.
O pior da estação seca ainda está longe, mas esses pântanos brasileiros já estão tão secos que os incêndios estão aumentando.
O número de incêndios no Pantanal até agora neste ano aumentou dez vezes em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) do Brasil.

“É difícil respirar. É difícil para as crianças recém-nascidas. O calor fica cada vez mais forte”, disse Amilton, um guia de pesca local. “O Pantanal já é quente e fica mais quente, mais seco, com fumaça, o clima fica muito ruim.”
Os homens guiam o gado pela planície alagada, esperando uma chance melhor de sobrevivência. “Do jeito que o fogo está vindo, ele pode cercá-los e queimá-los até a morte”, disse Cleiton, um fazendeiro.

Os pântanos do Pantanal, com uma área aproximadamente 10 vezes maior que os Everglades da Flórida, abrigam onças, antas, jacarés e tamanduás-bandeira. Chuvas fracas desde o final do ano passado interromperam as inundações sazonais usuais, deixando mais da região vulnerável a incêndios.
À medida que a região se aproxima da temporada mais arriscada para incêndios, que geralmente atinge o pico em setembro, especialistas alertam que os incêndios até agora neste ano são piores do que o início de 2020, quando um terço do Pantanal queimou.

Mais de 3.400 quilômetros quadrados (1.315 milhas quadradas) do Pantanal queimaram de 1º de janeiro a 9 de junho, o nível mais alto já registrado, de acordo com o programa de monitoramento por satélite da Universidade Federal do Rio de Janeiro, com dados que remontam a 2012.
O contraste com as inundações recordes no Rio Grande do Sul, três estados ao sul, pode ser chocante, mas os cientistas dizem que fazem parte do mesmo fenômeno — um padrão de El Niño excepcionalmente forte, agravado pelas mudanças climáticas.
“A mudança climática supercarregou o El Niño”, disse Michael Coe, cientista climático do Woodwell Climate Research Center. “Agora estamos em um novo patamar.”

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